Não podemos negar que historicamente a população pobre e negra tem sido marginalizada, não só no âmbito do acesso ao ensino superior, como também em vários outros aspectos da nossa sociedade. De acordo com dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) 22 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, destes, 70% são negros. Outro dado alarmante, é o número de negros nas universidades públicas brasileiras, que segundo o mesmo instituto é de apenas 2%.
Sabemos que não é somente através da política de cotas que um grave problema estrutural, que é a ausência dos trabalhadores e seus filhos na universidade pública, irá ser solucionado. Não temos ilusões quanto a isso. No entanto, entendemos que medidas imediatas precisam ser tomadas, e nesse sentido a política de cotas, tanto raciais quanto sociais, se bem planejada, cumpre um papel importante. É preciso salientar que se faz necessário que amplas medidas de assistência estudantil sejam elaboradas, para que os estudantes ingressantes pelo sistema de cotas tenham plena condição para se manterem na universidade.
Há um plano de ações afirmativas sendo discutido em nossa universidade. Cabe ao movimento estudantil estar atento, e pressionar a reitoria, para que um projeto tão importante como esse, seja implantado em sua plenitude: reserva de vagas, assistência estudantil, extensão popular e pesquisas com cunho social.
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